domingo, 27 de março de 2016

QUEM É NUCCIO ORDINE?

Ao assistir a aula magna da UFRGS 2016/1 com o tema “a utilidade dos saberes inúteis”, ministrada por Nuccio Ordine, quis saber um pouco mais sobre ele.
Segundo o site <http://professormedina.com/2014/02/17/9176/> Nuccio Ordine Diamante é professor de literatura italiana da Universidade da Calábria e colaborador do jornal Corriere della Sera. É autor do livro “A Utilidade do Inútil”.  
     Também segundo o site < http://professormedina.com/2014/02/17/9176/> a obra já publicada em vários países, ganhou a fama de ser um manifesto virulento e cheio de indignação intelectual a favor da arte e da cultura desinteressada. Ele brinca com a utilidade do inútil (conhecimento) e a inutilidade do útil (lucro): “Devemos continuar a crer que a cultura e uma educação livre são os únicos meios para tornar a humanidade mais humana”.


Fonte: < http://professormedina.com/2014/02/17/9176/> Acesso em 27/03/2015.
AULA MAGNA 2016– UFRGS

A UTILIDADE DOS SABERES INÚTEIS – NÚCCIO ORDINE

O professor italiano Núccio Ordine ministrou a aula magna da UFRGS 2016/1 com o tema “a utilidade dos saberes inúteis”. Durante a aula o professor fez várias colocações importantes sobre a importância escola e a universidade, as quais destaco abaixo:
v  Os estudantes devem ser o centro da preocupação da universidade e não podem ser considerados clientes que vem aqui para comprar diplomas.
v  A maioria dos alunos confessa que entra na escola para conquistar um diploma. Nuccio Ordine coloca que o objetivo da escola e da universidade é fazer com que nossos alunos compreendam que não entramos numa escola para conseguir um diploma e que não se frequenta a universidade para conseguir um título, mas sim, para se tornar uma pessoas melhor, para se tornar uma pessoa crítica, para se tornar homens e mulheres livres e capazes de pensar com autonomia.
v  Nem tudo pode ser transformado em mercadoria. As universidades não são empresas e os estudantes não podem ser considerados clientes. Mas na universidade as duas primeiras palavras que os alunos escutam são: crédito e débito. Um gerenciamento de empresa não pode ser aplicado no mundo da educação.
v  Muitos alunos se preocupam em apenas capacitar-se para o mercado de trabalho sem considerar importante o aprendizado da cultura construída pelo povo ao longo dos anos. Na medida em que o conhecimento da cultura não está sendo passado para as novas gerações, ela começa a ser esquecida.
v  A cultura precisa ser compreendida e admirada. Parece que o homem moderno não tem tempo para se dedicar a certas coisas consideradas “inúteis”, como a arte e a cultura. Não tem mais tempo para conhecer nada, sem se dar conta de que o que considera “útil” pode se tornar “inútil”. Os próprios governantes constantemente afirmam que não há dinheiro para financiar a cultura, a arte, a educação, uma pesquisa científica. Isso não é somente crise econômica, mas uma crise moral.
v  Investir na educação e na cultura significa educar os jovens para a justiça, para a solidariedade, para a tolerância, para a recusa da corrupção, para a democracia, com o objetivo de aperfeiçoar não somente o crescimento cultural do país, mas também o seu crescimento econômico. Corrupção é combatida parcialmente com boas leis e, especialmente, com uma boa escola e com uma boa universidade, formando estudantes capazes de amar o bem comum e de se opor a lógica de obter o lucro em si mesmo e do egoísmo. 


AULA VIRTUAL


    Na quinta-feira, dia 24 de março, na aula que inicialmente seria presencial, interagimos com os colegas, professor e tutores por meio de uma metodologia diferenciada. Cada uma das alunas precisava estar conectada à internet, pois a aula foi realizada através de uma conferência por chat no mesmo horário dos encontros presenciais. Nas salas de chat, pudemos conversar com todos os participantes (alunas, tutores e professor), conversamos também com as colegas de grupo em outra sala de chat para realizar a atividade proposta. Outros recursos foram utilizados nesta aula como whatsapp, email e moodle. Tudo em tempo real. Foi minha primeira experiência de aula por meio de uma conferência por chat. Uma grande aprendizagem pois a tecnologia já tomou conta dessa geração, é um meio de acesso rápido à informação e que pode tornar a aula mais interativa e atrativa para os alunos. 

domingo, 27 de dezembro de 2015

Experiência não feliz na escola

Hoje em dia temos sim muitas experiências felizes, mas considero como uma experiência não feliz, nos dias atuais, a participação da família na escola e na vida escolar das crianças e adolescentes. Se a família estimula o aprendizado e valoriza a escola, as crianças se alfabetizam com mais facilidade, aumentam seu rendimento e permanecem mais tempo na escola. Em suma, se os pais valorizam, as crianças aprendem a valorizar a escola também.
Saudades da minha escola 

            Quando ouço ou leio a respeito do termo “felicidade na escola” logo me vem à mente lembranças da minha infância. Cursei meus cinco primeiros anos escolares, da primeira a quinta série, em uma escola localizada na zona rural do município, hoje desativada. Minha mãe era a única professora da escola e exercia, além da função docente, a função de diretora e merendeira, sem esquecer, é claro, da faxina. O número máximo de alunos, somando todas as séries, nunca passou de 20.  Os alunos de 1ª a 3ª série estudavam na parte da tarde e os alunos de 4ª e 5ª série na parte da manhã. Muito difícil encontrar classe multisseriada hoje em dia. Todos os alunos, inclusive a professora, tinham um chinelo de pano na escola para não sujar a sala de aula, principalmente em dias chuvosos, com o barro da estrada que não era pavimentada na época. O calçado ficava na área coberta da escola. 
             Me recordo que fazíamos uma oração e cantávamos alguma música aprendida naquela semana, geralmente referindo-se à datas comemorativas no início da aula. Na hora do lanche, antes de sair, a professora, que era minha mãe, nos perguntava três operações da tabuada. Era uma forma de fazer com que estudássemos, afinal, ninguém queria mostrar diante da turma que não sabia a resposta. Após o lanche, cada aluno era responsável por lavar o seu utensílio utilizado para o lanche. A cada dia da semana havia uma dupla de alunos escalada para lavar a louça utilizada na confecção da merenda. 
              O recreio era uma festa. Brincávamos nos galhos das árvores do pátio.  Brincávamos com os pneus onde amarrávamos uma corda e brincávamos de carrinho. Brincávamos com bola no pequeno campinho ao lado da escola. Brincávamos de policial ao redor do prédio da escola onde alguns alunos eram os “policiais” e os demais os “motoristas” que utilizavam um bambolê confeccionado com mangueira para representar o volante. Estes, de vez em quando, não paravam ao ouvir a “voz de comando” do policial e precisavam pagar uma multa. O dinheiro para pagar a multa eram folhas das árvores. Eram tantas brincadeiras saudáveis e divertidas. 
             Na hora da saída, precisávamos deixar a sala limpa e organizada. Nessa hora também havia uma escalação: um aluno varria a sala, dois alunos varriam e limpavam com um pano a área coberta, outro aluno recolhia o lixo do banheiro e da sala de aula, um outro aluno limpava o pó dos móveis da sala. Os demais, com flanelas, lustravam o assoalho de madeira da sala de aula. Nossas carteiras eram protegidas com toalhas que cada um trazia de casa. 
            Na escola tínhamos uma horta com quatro canteiros onde cultivávamos temperos, ervas medicinais e saladas. Uma vez por mês nos reuníamos para cuidar da horta. Cada aluno trazia os instrumentos de casa como pá, enxada e ancinho. As mães, no início de cada semestre, faziam uma limpeza geral na escola. Os pais eram responsáveis pela manutenção do pátio. 
            Para mim, essa sim era uma experiência feliz na escola que me faz sentir muita saudade. Não era simplesmente uma escola, éramos uma comunidade escolar, pois todos se envolviam para cuidar e mantê-la. Era muito raro, mas raro mesmo, alguém faltar às aulas. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A EDUCAÇÃO INFANTIL NO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS

Analisando o texto “Ampliação do ensino fundamental: a que demandas atende? A que regras obedece? A que racionalidades corresponde?” (MARCELLO, Fabiana de Amorim; BUJES, Maria Isabel Edelweiss) que trata do ensino fundamental de 9 anos com o ingresso de crianças a partir dos 6 anos de idade, as autoras colocam que “trazer crianças de 6 anos para ao ensino fundamental também coloca a educação infantil sob a luz dos refletores”. Ao meu ver, este termo significa que a educação infantil precisa se reorganizar em relação ao tempo, ao espaço e ao currículo como um todo, para que não seja tratada ou vista como escolarizante, mas sim como um espaço de interação social, de ludicidade, de convívio, de encantamento, de descobertas, de criatividade, de imaginação, onde as crianças possam aprender com todos essas experiências de uma maneira saudável e agradável, para que assim consigam compreender a si mesmas, o outro e o mundo.
Por que brincar é importante para a criança?

        Através do ato de brincar a criança estimula a criatividade, a imaginação e o prazer em brincar, e vai pouco a pouco construindo os circuitos da motricidade e da abstração, aprende a se organizar no tempo e no espaço, trabalhar em equipe, dividir brinquedos, respeitar as ideias e opiniões dos outros, esperar sua vez. Nas brincadeiras a criança experiência situações que vai levar para a sua vida.
       Importante também a interação entre crianças de diferentes idades na hora do brincar, permitir que elas elaborem suas brincadeiras e aprendam na interação com crianças maiores. Vygotsky (1989) destaca a importância do brincar colocando que esta prática tão comum nesta fase da vida cria a chamada zona de desenvolvimento proximal, impulsionando a criança para além do estágio de desenvolvimento que ela já atingiu.